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Publicitário, formado pela FAAP, com pós-graduação em marketing pela USJT e Gestão de Contact Center pela Unicamp. Atua há mais de 20 anos em Customer Experience.

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Pacientes empoderados na era da saúde digital Postado em: 19/08/2019

Todas as áreas da sociedade estão vivendo os efeitos da descentralização gerada pela transformação para o digital. Com mais gente vivendo no planeta são necessárias novas soluções para resolver a complexidade, e daí é preciso alterar a forma de intermediação entre os seres humanos, em especial nas relações entre as pessoas e as instituições. E este é o maior desafio de hoje - o problema da qualidade na quantidade e quantidade com qualidade.

Na Medicina não será diferente.

As tecnologias que estão sendo criadas apontarão na direção de mais e mais poder para que os pacientes cuidem, ao máximo, das suas próprias doenças. Isso já vem sendo, de forma ainda simples, através do chamado Dr.Google. Em fevereiro deste ano saiu uma matéria na versão online da revista Isto É Dinheiro. Veja que interessante este trecho - "O índice de brasileiros que buscam o Google como primeira fonte de informação em casos de problemas de saúde já chega próximo ao dos que buscam imediatamente um médico. São 26% que têm o mecanismo de busca como primeira opção, ante 35% que recorrem a um médico." A mesma matéria conclui com um dado importante: 25% dos brasileiros têm plano de saúde enquanto 70% estão conectados à internet.

Ao mesmo tempo que percebemos as instituições que regulamentam o setor colocando em xeque algumas iniciativas que envolvam uma maneira nova de tratar o assunto de empoderamento do paciente - sob a perspectiva da ética médica, já existem grupos na web de pacientes de doenças crônicas que ganham aprendendo um com os outros.

Vamos para mais um exemplo, em uma reportagem no começo de agosto no canal Globosat, foi apresentada uma comunidade na Inglaterra que está trabalhando para hackear uma bomba de insulina, que é um aparelho bastante caro, para pressionar os laboratórios a encontrar uma solução mais barata para quem depende regularmente desta solução, no caso controlar o diabetes. Em outro artigo, desta vez na Exame (data de agosto também), vimos outra iniciativa que prevê que seja possível, em breve, medir a pressão arterial pelo próprio celular através de uma selfie - o aplicativo realizada a medição arterial dos usuários a partir do reflexo da hemoglobina com a luz emitida pelo smartphone.

E certamente esta é uma das megatendências: a descentralização - as pessoas terão que aprender cada vez mais a tomar um número maior de decisões. A web nos possibilitou acesso a um grande volume de informações que antes estavam restritas, concentradas, em alguns núcleos específicos. Isto significa para os pacientes que o nível de decisão sobre a sua própria saúde vai aumentar.

Enfim, estamos longe de encontrar uma resposta, mas é preciso aumentar a taxa de reflexão: quem ganha se o paciente for atendido diretamente pela web? As instituições públicas poderão ter um alívio nos custos e na qualidade do atendimento presencial? Os planos de saúde terão que pagar menos consultas que muitas vezes são problemas decorrentes como gripes, resfriados, viroses?

Obviamente teremos que separar prevenção, atendimento de rotina, atendimento em crises e intervenções. Enfim, nesta era digital muda a forma do papel do médico que ainda será muito necessário neste novo século.

A única certeza neste momento é que o futuro que estávamos acostumados está cada vez mais incomum do que imaginávamos no passado. No entanto, só é um futuro incerto para quem não compreende o presente. 

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