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Publicitário, formado pela FAAP, com pós-graduação em marketing pela USJT e Gestão de Contact Center pela Unicamp. Atua há mais de 20 anos em Customer Experience.

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Como anda a saúde digital do consumidor empoderado Postado em: 03/04/2020

Todas as áreas da sociedade estão vivendo os efeitos da descentralização gerada pelo Coronavírus. Com tanta gente em quarentena são necessárias novas soluções para resolver a complexidade. Daí é preciso alterar a forma de intermediação entre os seres humanos, em especial nas relações entre as pessoas e as instituições. E este é o maior desafio de hoje - o problema da qualidade na quantidade e quantidade com qualidade.

Na saúde não é diferente. As tecnologias que estão sendo criadas apontarão na direção de mais e mais poder para que os pacientes cuidem, ao máximo, das suas próprias doenças. Isso já vinha sendo feito, de forma ainda simples, através do chamado "Dr Google". Pesquisas dizem que o índice de brasileiros que buscavam o Google como primeira fonte de informação em casos de problemas de saúde já está próximo ao dos que buscam imediatamente um médico. São 26% que têm o mecanismo de busca como primeira opção, ante 35% que recorrem a um médico. A mesma pesquisa concluiu com um dado importante: 25% dos brasileiros têm plano de saúde enquanto 70% estão conectados à internet.

É de se pensar que pouco tempo antes da quarentena, ainda tínhamos organizações colocando em xeque algumas iniciativas que envolviam uma maneira nova de tratar o assunto de empoderamento do paciente, como por exemplo, criticar a telemedicina. No entanto, a sociedade já estava se organizando há algum tempo: A web nos possibilitou acesso a um grande volume de informações que antes estavam restritas, concentradas, em alguns núcleos específicos. Já temos há algum tempo grupos no WhatsApp de pacientes com doenças crônicas (HIV por exemplo). Todos saem ganhando com aprendizado um com os outros.

E a coisa não vai parar por aqui. Certamente esta será uma das megatendências: a saúde 2.0 - as pessoas terão que aprender cada vez mais a tomar um número maior de decisões. Isto significa para os pacientes que o nível de decisão sobre a sua própria saúde vai aumentar. Em uma reportagem no começo de agosto passado no canal Globosat, foi apresentada uma comunidade na Inglaterra que está trabalhando para hackear uma bomba de insulina, que é um aparelho bastante caro, para pressionar os laboratórios a encontrar uma solução mais barata para quem depende regularmente desta solução, no caso controlar o diabetes. Em outro artigo, desta vez na Exame (2019), vimos outra iniciativa que prevê que seja possível, em breve, medir a pressão arterial pelo próprio celular através de uma selfie - o aplicativo realizado a medição arterial dos usuários a partir do reflexo da hemoglobina com a luz emitida pelo smartphone.

Enfim, quem ganha se o paciente for atendido diretamente no digital? As instituições públicas poderão ter um alívio nos custos e na qualidade do atendimento presencial? Os planos de saúde terão que pagar menos consultas que muitas vezes são problemas decorrentes como gripes, resfriados, viroses?

Obviamente teremos que separar prevenção, atendimento de rotina, atendimento em crises e intervenções. Enfim, nesta era digital muda a forma do papel do médico que ainda será muito necessário neste novo século.  A única certeza neste momento é que o futuro que estávamos acostumados está cada vez mais incomum do que imaginávamos no passado. No entanto, só é um futuro incerto para quem não compreende o presente.

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