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Profissional de marketing e comunicação e fundadora do Grupo Mulheres de Negócios. Atuou em empresas de TI como Scopus, Sun Microsystems e PTC. É formada em Letras, com Pós-Graduação em Jornalismo, Comunicação Social e Negócios. Autora do livro "O Homem que Entendia as Mulheres", publicado pela AllPrint Editora (2005).

gladis.costa@uol.com.br

Mulheres e Trabalho: Desequilíbrio na Economia Tradicional Postado em: 20/11/2018


Na luta pela igualdade, só vence quem empata! (Pedro Gabriel)


Pesquisa realizada em 2017 pelo Fórum Econômico Mundial revela que as mulheres levarão mais de 200 anos para alcançarem a mesma renda dos homens. As mudanças precisam começar já e numa velocidade que acelere os processos conduzidos com o olhar e preconceitos do passado.

Alguns fatos:

  • O IBGE aponta que o número de mulheres em cargos de liderança caiu 2% nos últimos 4 anos.
  • Pesquisa do Ministério do Trabalho constatou que a remuneração média das mulheres em 2017 corresponde a 85,1% do salário dos homens. Em São Paulo encontra-se a maior diferença salarial entre gêneros - 67%.
  • O estudo "Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil", conduzido pelo IBGE, descobriu que mulheres dedicam 18 horas semanais a tarefas domésticas, enquanto homens gastam apenas 10. É uma agenda complexa e injusta. Como se dedicar à carreira com uma carga de trabalho tão pesada fora dela?
  • Mulheres representam 44% da força de trabalho, mas apenas 37% ocupa cargos de direção e gerência.

 

Agora, as boas notícias

  • As mulheres estudam mais, possuem formação acadêmica mais ampla, (não que isto se reflita na folha de pagamento); estão, portanto, melhor preparadas para assumir responsabilidades mais complexas.
  • Pesquisa realizada pela consultoria McKinsey constatou que empresas com mulheres em cargos de liderança aumenta em 21% a chance de terem desempenho acima da média.
  • Um estudo do BCG - Boston Consulting Group -  analisou 350 startups e concluiu que as empresas formadas por homens receberam mais investimentos iniciais do que aquelas comandadas por mulheres; porém estas garantiram 10% a mais de renda acumulada a longo prazo.
  • De acordo com a pesquisadora americana Cindy Gallop, 80% das decisões diárias de consumo são feitas pelas mulheres, numa combinação de poder e influência, e são donas de 1/3 dos negócios do mundo.

Dá para melhorar o cenário? Algumas reflexões

  • Mulheres precisam aumentar sua presença no ambiente de decisão para mudar padrões anacrônicos e propor ideias criativas na gestão do negócio, criando oportunidades de crescimento para outras mulheres e sendo inspiração para jovens profissionais, que passam a ter lideranças femininas como exemplos de sucesso.
  • No âmbito do empreendedorismo, é importante que as mulheres reconheçam a existência de suas colegas na esfera de negócios. Isto faz com que o ecossistema comandando por elas - 24 milhões no Brasil - seja produtivo e apresente um crescimento consistente e saudável.
  • As empresas precisam ter políticas mais claras em seus processos de seleção (não são cotas, apenas uma mudança de visão), com mais justiça e equidade na seleção de candidatos. Bom saber que muitas empresas estão adotando medidas de inclusão e diversidade em sua pauta de responsabilidade social.
  • Em função da natureza pervasiva da tecnologia - leia-se: está em tudo que é lugar - é preciso valorizar as disciplinas STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). As estudantes precisam ser não só usuárias, mas criadoras de produtos que já consomem ou vão consumir no futuro, sejam apps, games, vídeos, blogs, livros, música ou qualquer forma de conteúdo. É importante que construam o ambiente virtual onde já passam boa parte do tempo. Uma vez que a tecnologia nos alimenta, vamos pelo menos escolher quais alimentos queremos consumir. Previsão de muitas vagas - e muita criatividade - nesta área.
  • O conjunto de habilidades similares como capacitação, preparo técnico, maturidade profissional e formação acadêmica deveria estabelecer o mesmo padrão de cargo e salário numa empresa, mas não é bem assim, como indicam as pesquisas.
  • Reskilling, ou a capacidade de atualizar as competências, é uma saída frente as disrupcões tecnológicas que acontecem o tempo todo. O reskilling faz com que as mudanças sejam encaradas com segurança e tranquilidade.


As mulheres têm foco, formação e exercem boa gestão, não há dúvida. O que faltam são empresas que reconheçam que homens e mulheres têm jornadas, opiniões e experiências diferentes - mas são perfis que se complementam - não só agregando criatividade, mas aumentando a capacidade de entrega de resultados e ampliando a vantagem competitiva da empresa. É o melhor dos mundos!

 

Abraços

Gladis

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