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Filósofo e professor de Ética do MBA da Fundace. Sócio e consultor da Aprendendo@Pensar, empresa especializada em Educação Corporativa.

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Dilma está morta! E o PT a matou! Postado em: 02/09/2016
"Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste ato não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu ato mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste ato, de uma história superior a toda a história até hoje" - Nietzsche (1844-1900), Gaia Ciência.

É óbvio que todo o partido político tem sua ideologia e por isso um projeto de poder. Esse é o objetivo de qualquer partido em qualquer parte do mundo. Porém - há sempre um porém - esse projeto de poder deve, a princípio, ser construído com ética e moral para ser legítimo e perene. Caso contrário, tudo vale a pena!

Quando esse projeto é levado a cabo, sem qualquer princípio moral e ético legítimos, ele em nada contribui para evolução de qualquer espécie, por mais justificativa que possamos ter e defender. A ideologia sem ética é, e ainda vai ser, uma muleta para justificar que o "fim" é mais importante que o "meio".

Essa é a história do PT, nesse golpe, tão comentado e bombardeado pelos militantes e aliados.

"Nós chamamos de dinheiro não contabilizado", afirma Delúbio Soares em 2003/2004, então tesoureiro do PT, em relação ao dinheiro recebido de diversas fontes para sustentar o partido e para fins eleitorais. Começa aí a saga de desvios éticos, tão comuns nas campanhas políticas de todos os partidos. Sem exceção.

Em 2005 o PT, completando seus 25 anos, volta aos noticiários com o projeto de poder mais vigoroso, denominado "Mensalão". Caem ministros e secretários de governo, onde o líder maior, Lula, se diz traído. A saga começa a sofrer vários vieses que tornam insustentáveis os seus argumentos de que tudo foi feito de forma "Ética" e "Moral". Na sequência do cenário político, entra a operação "Lava Jato" que demonstra de forma inequívoca o novo projeto de poder denominado agora de "Petrolão". Fica constatado que os "fins" definitivamente, justificam "os meios" para busca de seu fortalecimento e perpetuação. Bilhões de reais são sangrados da instituição com objetivo de fortalecer caixas de partidos e de corromper políticos e empresários.

Todas as justificativas desse projeto nefasto, são aceitas por seus militantes como sendo "normais" e "corretas". Nesse momento tão crucial, ao invés de romper com o partido, a presidente Dilma, endossa sua forma de agir. É nesse momento que o PT assassina a Presidente Dilma, seu cargo, seu governo e seu futuro.

Jean Paul Sartre (1905-1980) escreveu: "Está revelado o verdadeiro inferno: a consciência não pode furtar-se a enfrentar outra consciência que a denúncia, por isso: "o inferno são os outros". "Os Outros" são todos aqueles que, voluntária ou involuntariamente, revelam de nós a nós mesmos. Algumas vezes, mesmo sufocados pela indesejada presença do outro, tememos magoar, romper, ferir e, a contragosto, os suportamos. Uma vez que a incapacidade de compreender e aceitar as fraquezas humanas torna a convivência realmente um inferno".

O PT e seus militantes adotam, como forma de justificar suas ações e desvios éticos e morais, a máxima de Sartre: "O inferno são os outros". Convencido que está no caminho certo, ético, justo e moral, não consegue reconhecer as desmedidas que o levaram até aqui. Talvez por arrogância, tão comum de quem está no poder, preferem "matar" a presidente do que revelar seus erros e incoerências, buscando se redimir e voltar aos seus princípios mais elevados.

Pelo poder, vale tudo. Vale se juntar, em nome de uma suposta governabilidade, com partidos que hoje não são mais fiéis e não atendem as premissas que os uniram. Outro ponto óbvio e ululante.

No Brasil de hoje existem 35 partidos políticos. Não é possível que haja 35 ideologias diferentes uma da outra para que justifique a existência de tantos partidos. Na verdade, esses partidos existem como moeda de negociação para manter a dita "governabilidade". Não são ideologias que estão em jogo e sim, um verdadeiro balcão de negócios. Todos sabem que é preciso uma reforma política para estancar esse processo.

É obrigação de quem está no poder e que tenha princípios éticos e morais verdadeiros, mudar esse cenário de forma efetiva. É difícil, eu sei. Mas se não for por esse caminho, qual seria o melhor caminho então?

Há méritos incontestáveis na obra realizada. Há deméritos também. O pior deles é a falta de ética. Um não pode justificar o outro em nenhuma hipótese e, em nenhuma ideologia.

Ouvi um militante ferrenho do PT dizer que tudo isso aconteceu por causa da manipulação midiática. Perguntei se ele se sentiu manipulado. Ele disse que não, pois sabia separar o joio do trigo. Perguntei então qual era o problema, já que ele não foi manipulado. Ele disse que, embora não tenha sido manipulado, o povo foi. Perguntei novamente: já que ele estava preocupado com o povo, o que ele está fazendo de efetivo para ajudar o povo em relação as condições que o povo se encontra. Aí ele disse: "veja bem....".

Termino com a frase de Saramago: "A única evolução possível é a evolução ética. O resto é acumular bens".
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