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Filósofo e professor de Ética do MBA da Fundace. Sócio e consultor da Aprendendo@Pensar, empresa especializada em Educação Corporativa.

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Ativismo e Vandalismo: Causa, Efeito e Intenção. Postado em: 23/06/2013

O ativismo pode ser entendido como militância ou ação continuada com vistas a uma mudança social ou política, privilegiando a ação direta, por meios pacíficos ou violentos, que incluem tanto a defesa, propagação e manifestação pública de ideias até a afronta aberta à Lei, chegando inclusive à prática de terrorismo. Os termos ativismo e ativista foram usados pela primeira vez, com conotações políticas, pela imprensa belga, em 1916, referindo-se aos movimentos sociais existentes no país.

Alguns estudos mostram que os Vândalos eram uma tribo germânica oriental que existiu no século III. Eles lutaram contra o Império Romano. Como prática, ao invadir territórios, eles destruíam tudo, inclusive os monumentos que pudessem lembrar os romanos e sua forma de subjugar os povos. Era a forma que eles adotavam para deixar marcado na cultura dominante o descontentamento da cultura dominada. Eles não queriam "apagar" a cultura existente e sim deixar uma marca de repúdio. termo "vandalismo" como sinônimo de espírito de destruição foi cunhado no final do século XVIII, por Henri Grégoire, bispo de Blois, cidade da França. Ele cunhou o termo e o tornou comum, denunciando a destruição parcial de artefatos culturais como monumentos, pinturas, livros etc.

Primeira Ilação: Sou um ativista focado na proteção de pássaros silvestres. Sei de um lugar onde estão armazenando pássaros para vender. Entro nesse lugar, liberto os pássaros e destruo todas as gaiolas existentes.Serei considerado, de acordo com os conceitos acima, literalmente, um Ativista Vândalo. Neste caso, também serei considerado pela mídia e demais pessoas como um herói. Um exemplo a ser seguido. Como um ser humano justo e bondoso e assim por diante. 

Segunda Ilação: Sou um ativista focado na melhoria da saúde pública. Passando com o meu grupo na frente de um hospital do SUS, vejo uma fila imensa. Entro e verifico que é troca de turno. Os médicos já estão indo embora e os substitutos não chegaram. Além disso as recepcionistas atendem muito mal os pacientes. Quebramos a recepção como forma de protesto e não deixamos os médicos saírem até que uma autoridade resolva a situação. Somos aplaudidos pelo público e o secretário de saúde manda uma equipe de médicos resolver os problemas naquela unidade. A polícia vem nos prender mas o público nos defende. Sabendo disso a imprensa nos defende também e por interferência do governador somos soltos. Nosso vandalismo é amplamente justificado em função dos problemas existentes. Somos considerados heróis também.

Terceira Ilação: Não sou ativista, mas estou participando do movimento pela melhoria dos serviços públicos. Estou junto com milhares de pessoas na rua, quando a polícia resolve dissipar a multidão utilizando bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Ao revidar as agressões atirei um rojão em direção a polícia que acabou caindo na viatura. Ela pegou fogo e acabou destruída. Fui identificado e preso. Como estava como anônimo no meio da multidão, ninguém me defendeu. Tive que contratar um advogado, pagar fiança e aguardar a instauração do inquérito em casa. 

Em todas as ilações cometi, perante a justiça, crimes que devem ser punidos com base na lei vigente. Só que não será assim que as coisas acontecerão. Pela primeira ilação não serei punido. Se a pessoa que estava fazendo a atrocidade com os pássaros, fazia porque era completamente inculto e porque precisa sobreviver - pois era o único "trabalho" que tinha - é apenas uma detalhe do destino. Perante a justiça ele é considerado um bandido. Na segunda, haverá uma tentativa de me processar que será atenuada com argumentos jurídicos e provavelmente nada acontecerá, ou haverá uma punição muito branda, como pagamento de cestas básicas. Na terceira vou ser processado por destruição do patrimônio público, independentemente da minha intenção de lutar por melhoria dos serviços públicos em geral. A Autoridade policial não deve ser contestada e, ao revidar uma ação, estou dando um exemplo ruim que deve ser punido.

Ativismo e Vandalismo é uma relação direta de causa e efeito. A intencionalidade dos atos é que deve ser analisada e definida. Intenções desalinhadas com o foco do ativismo devem ser combatidas, pois nada tem a ver com reivindicações. Como não há como fazer omelete sem quebrar ovos, não há como mudar paradigmas sem sair da zona de conforto. Ao entrar em movimento por lutas sociais, as pessoas devem ter seu repertório desenvolvido sob pena de servir de massa de manobra para quem os têm. Temos que lutar. Temos que saber muito bem porque estamos lutando. Temos que assumir responsabilidades pela luta. Não há luta fácil. As lutas são necessárias para evolução de uma sociedade. Os sacrifícios também..


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Comentários
Postado em: 24/06/2013 às: 16:06 Por: Sidney Porto (sidney.porto@gerencialbrasil.com.br)
Ã"tima a análise, mas me pergunto se serve ao nosso momento atual. O vandalismo, aparentemente, não tem sido promovido por quem quer mudanças, mas por profissionais. Quando pegos pela polícia, a maior parte tem ficha criminal. Entretanto, nada ou quase nada é furtado. Por que? Para que? Quem ganha com isso? Quem está pagando por isso (se é que há alguém)? Essas perguntas tem me inquietado.
Postado em: 24/06/2013 às: 13:11 Por: vera (verare@uol.com.br)
Gostei muito de sua análise:objetiva e imparcial. Ao tomarmos partido de qualquer idéia ou posição temos que ter clareza das possíveis implicações dessa nossa decisão.
Postado em: 24/06/2013 às: 13:05 Por: Bia Salomão (biaa.batista@gmail.com)
Particularmente, tenho pensado muito na violência e no vandalismo dentro das manifestações. Escuto sempre o argumento de que só se muda com desconforto e que o governo só vai prestar atenção quando as coisas forem destruídas. Gosto de pensar que há sim outro jeito, que a reforma pode ser feita de forma pacífica e por meio de discussão. Óbvio que temos problemas sérios de estrutura, mas creio que à base de violência, so criaremos outro governo de violência. Talvez seja a hora de fazer diferente.
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