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Neuropsicóloga especializada em Psicologia Clínica e Organizacional. Master Coach com Certificação Internacional pela Behavioral Coaching Institute e International Coaching Conselho. Pós-Graduada pela Universidade da Inteligência - P.E.N.C.A.T. Sócia diretora da Constelação Empresarial em RH/Coaching.

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O papel da liderança nos períodos de crise Postado em: 03/04/2018

O número de desempregados no Brasil, está em torno de 12,5 milhões de pessoas segundo a Organização Internacional para o Trabalho (OIT), com previsões de melhoria para 2019. No entanto, diante de números tão expressivos, fico me perguntando, qual é o papel da liderança nestes momentos de crise, quando muitos deles perdeu o emprego ou está na iminência de perdê-lo.

O trabalho sempre representou e representará oportunidades de autorrealização e a conquista dos nossos ideais. Aliás, muitos pensam que não se chega muito longe, sem o abençoado emprego. Porém, vale ressaltar, que são nestas horas de apertos, que descobrimos em nós próprios talentos inimagináveis. Quem não conhece a história de pessoas que mudaram completamente a sua vida e a vida de muita gente, porque descobriu e acreditou no próprio talento criativo?

O espírito empreendedor pode estar adormecido dentro de nós, e de repente, diante dos desafios da vida, somos surpreendidos com ideias aparentemente simples, que trazem respostas práticas excelentes e transformam as nossas vidas de modo fabuloso. Se este for o seu caso, parabéns e siga adiante, mas fica a pergunta: E os que preferem permanecer apenas executando o seu trabalho e mantendo o seu emprego ou procurando por um? Cada pessoa está fazendo a coisa certa conforme as suas escolhas e as suas aptidões. Não vamos sofrer porque decidimos continuar lutando por uma recolocação profissional ou trabalhando o dobro da carga horária para manter-se empregado. Não estou dizendo com isso, que concordo com as empresas que expõem seus colaboradores à exaustão, para obter os mesmos resultados. Estou apenas reconhecendo a importância do papel do líder junto da sua equipe nestas horas difíceis, quando muitos de seus colegas foram demitidos.

Devo dizer aqui que quando as empresas estão praticando demissões, geram ressentimentos significativos naqueles que ficaram. Em geral, muitos profissionais que continuam trabalhando nas equipes, perdem a motivação e sentem-se enlutados com a perda de emprego de seus colegas. Neste momento, é fundamental a presença de Recursos Humanos, para mediar e minimizar estes sentimentos de perda. Contudo, a serenidade e a firmeza dos líderes fará enorme diferença no cotidiano das pessoas.

Líderes que conversam, que praticam escuta ativa, acolhem e buscam a resiliência de seus liderados, saem à frente daqueles que se comportam com indiferença em relação ao que as pessoas sentem e pensam.  Profissionais brilhantes, se desdobram para manterem suas equipes produzindo e crescendo apesar do enorme esforço e sacrifício da maioria deles e do próprio líder.

Quando vive-se períodos de crise, o melhor a fazer, é unir forças, compartilhando ideias, dando espaço para que a equipe manifeste suas inquietações e o líder tenha a oportunidade de perceber os aspectos subjetivos que permeiam o comportamento da maioria e avaliar as questões emocionais que impedem ou retardam a entrega das atividades em razão do descontentamento resultante das incertezas que invadem a organização. Assim procedendo, poderá com acerto, criar alternativas estratégicas para a solução do que é possível e acolher ou adiar expectativas da equipe, evitando frustrações desnecessárias.  

Quando todos estamos num barco à deriva, os medos ficam exacerbados e o descontrole toma conta dos sentimentos presentes. Nas empresas, acontece a mesma coisa.

O medo da demissão, apavora as pessoas e elas costumam ficar desorientadas, o que é natural. Portanto, o fato de estarmos líderes, não assegura que também nós, não estejamos apreensivos. Porém, o comando nesta hora, é fundamental.

Focar na união, no esforço, na cumplicidade, na conversação amistosa, pode resultar em excelentes climas organizacionais nestes períodos de tempestades e porque não dizer, de nomes na lista de corte.

Os líderes por sua vez, também precisarão buscar apoio e cuidar dos seus próprios medos. Em cenários de incertezas o nível de stress costuma ser altíssimo, e por muitas vezes impedem de perceber soluções simples para algumas questões práticas.

Lembremo-nos sempre, que o cérebro tende a generalizar e potenciar medos que são sentidos e reiterados cotidianamente. Se não formos capazes de identificarmos a razão destes medos, o cérebro tenderá a fazer associações distorcidas da realidade, gerando sentimentos alarmantes sobre fatos corriqueiros. Portanto, converse sobre suas preocupações e angústias em lugar seguro e volte para o trabalho mais integrado com as suas emoções. Embora, você esteja desempenhando um papel de líder não o colocará acima da sua humanidade.

Cuidado com a presunção de ter respostas para tudo e ser o protagonista das demissões. Quando temos a convicção de que todos precisam agir da mesma maneira, preferencialmente, positiva e madura, diante da ameaça iminente de demissão, corremos o risco de sermos injustos com aqueles que reagem diferentemente de nós, embora comprometidos com a mudança no cenário de empregabilidade que as empresas oferecem.

Não seja um líder carrasco, porque você tem estrutura psíquica que lhe permite lidar com perdas e frustrações de modo equilibrado. Aliás, esta deve ser uma de suas características que o mantém desempenhando este papel de líder. Portanto, seja generoso e acolhedor. As pessoas irão lembrar-se deste legado respeitoso que você pode assegurar em períodos de incertezas.

 

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                     @EscritoraIsabelSpindola

 

 

 

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